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100 Borboletas no estômago

100 Borboletas no estômago

Dom | 22.03.20

Amar depois de amar-me

Tânia Garcia

Ela era força onde havia fraqueza. 
Ela era luz onde reinava as trevas.
Ela era amor onde existia indiferença. 
Ela era uma relação a 2 quando só existia 1.
Matematicamente falando ela era -1 e aprendeu a ser -1 na vida durante tanto tempo quanto aquele que foi necessário para perceber que tinha de mudar. 
Nem sempre é fácil dar realmente aquele passo definitivo onde sabemos que tudo o que nos é cómodo deixará de fazer parte da nossa rotina.
E ela teve de viver a metamorfose dos sentimentos contraditórios para aprender a amar-se primeiro para poder amar depois.
Às vezes dava jeito que a vida trouxesse manuais para quando o coração cegar a alma podermos ver para além do nevoeiro, sabermos que aquela estrada pode parecer a com mais visibilidade, mas o chão é péssimo, cheínho de remendos e buracos.
E ninguém quer caminhar pela estrada remendada.
Mas por vezes estamos tão cegos de nós mesmos que caminhamos mesmo descalças com os pés em ferida e sorriso no rosto.
E a meio caminho percebemos que a dor que andávamos a esconder começa finalmente a fazer-se notar e uma coisa que ignoravas antes, agora massacra-te o dia todo. Ela tem dias em que sabe bem a companhia dela mesma. Nesses dias ela faz limpeza geral de sentimentos e deita fora tudo o que não lhe acrescenta nada. Aquela dorzinha aguda que ligeirava a mente dia após dia deixa de existir e ela respira vida e finalmente solta as cordas.

Voa e sê feliz!