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100 Borboletas no estômago

100 Borboletas no estômago

Dom | 22.03.20

Liberta a bagagem e sê feliz

Tânia Garcia

Chega uma altura que limpamos a vida.

received_1515830821770388.jpegTal e qual como as lides domésticas, fazemos limpezas a fundo, nenhum canto escapa e aos poucos libertamos aquela bagagem que já nos pesa à uma eternidade mas vamos arrastando connosco sem saber bem como nem porquê.
Considero-me uma paciente excessiva. 
Acredito piamente no bem dos outros mesmo quando me mostram que não é bem assim.
Como que vou desculpando uma e outra vez e insisto que tudo irá correr bem no fim.
Confesso que é mais por teimosia e orgulho às vezes que por apego.
Não gosto de adimitir que falhei. 
Não suporto desistir de nada sem lutar até ao fim dos fins. 
Penso que é por isso que saio sempre completamente derrotada e de rastos.
Dou demais a quem é de menos.
Mas não sei ser de outra forma.
Abro o livro todo logo na primeira impressão e fico vulnerável. 
Por isso volta e meia despejo a bagagem.
Demoro mas quando o faço é logo pela raiz.
Sem hipótese de retorno.
Vá podem me chamar radical e tal.
Mas acreditem que até o fazer irei dar de mim muito mais do que aquilo que perdi.
Mas a mesma frieza que demonstro hoje fica esquecida amanhã se precisarem da minha ajuda.
Perdoo mas não esqueço. 
Mas já não arrasto bagagem sem necessidade.
E acredito que ao desimpedir o espaço este será ocupado com outras memórias,  outras pessoas, outra vida.
Afinal o melhor acaso acontece quando menos esperas.