Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

100 Borboletas no estômago

100 Borboletas no estômago

Dom | 22.03.20

Mulher do leme

Tânia Garcia

E quantas vezes perdemos a paciência de encarar o presente? 
Quantas vezes pensamos e colocamos em causa todas as decisões tomadas até hoje?
Não é fácil ser humano num mundo de animais.
Onde tudo é razão de escrutínio e tudo é analisado ao pormenor.
Não sou feita de moldes politicamente correctos.
Nunca me encaxei em lado nenhum. 
Sempre fui a mulher do leme.
Talvez seja por isso que me canso rápido. 
E na gritaria interior do meu silêncio prefiro afastar-me e viver uma semana ou mais no meu mundo. 
Não irei nunca confrontar as mentiras com que me deparo no dia a dia.
Guardo-as na gaveta dos fundos e fico com menos um cadeado na ponte da confiança. 
Não guardo rancor mas também não esqueço. 
Isto das alterações hormonais femininas é lixado. 
Vivo de acordo com os meus padrões e não sigo o GPS alheio.
Cada qual que escolha o seu caminho que eu irei calmamente no meu até chegar ao destino pretendido.
Não tenho medo de acabar a minha jornada sozinha. 
Mas preferia ter a meu lado alguém com quem festejar no final.
Confesso que o Futuro me inquieta.
Não gosto de pensar além do dia de hoje. 
Já basta as marcações na agenda que a vida obriga.
Gosto de soltar as amarras e navegar pelo oceano da incerteza. 
É bom estar destinada a não ter destino. 
Serpentear nas curvas da felicidade e da solidão. 
Viajar da raiva ao amor à velocidade da luz.
Gosto das 4 estações num dia.
Sou inconstante e é nesses instantes que me sinto viva. 
E é tão bom viver.