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100 Borboletas no estômago

100 Borboletas no estômago

Dom | 22.03.20

Nós não somos estatística

Tânia Garcia

Confesso que este é daqueles textos que me doem ao escrever.

Leva-me a portas que já fechei a 7 chaves.

Mas é impossível ficar indiferente. Os números não mentem. A vida não se esquece.

9...

9 mães de alguém, filhas de alguém, irmãs de alguém, amigas de alguém....

9 Mulheres morreram pelas mãos doentes de um namorado ou marido...

É mais que um número.

São 9 vidas qie simplesmente deixaram de fazer parte deste mundo.

Foram 9 gritos de ajuda que foram ignorados por alguém.

9 súplicas, 9 meias palavras, 9 indirectas que toda a gente sabia e ninguém travou.

9 pedidos de ajuda que aquela tia, prima ou mãe desvalorizou.

9 tentativas de apoio que os nossos tribunais relativizaram.

Passaram a mão na cabeça de 9 homens que eram na verdade monstros.

Ajudaram 9 homens a acabar com a vida de 9 mulheres.

Abriram a porta a 9 bestas e deram-lhes tudo o que precisavam para avançar.

É triste...

É vergonhoso...

É desolador...

E no meio um bebé.

2 anos de amor de mãe.

24 meses de carinho de avó...

2 anos que foram interrompidos por crueldade.

Não me conformo com a (in)justiça que temos.

Nós não somos estatística.

Somos mulheres.

Somos quem leva esta vida toda às costas.

Somos as escravas da sociedade.

Somos incompreendidas.

Somos manipuladas.

Assediadas.

Mal tratadas.

Não é neste país que quero viver.