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100 Borboletas no estômago

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Dom | 22.03.20

Pós Parto

Tânia Garcia

Sento-me à beira do abismo e espero que a tempestade passe.
Os meus dias parece que passam em câmara lenta em frente aos meus olhos.
No interior tenho um furacão de sentimentos a rodopiar e não consigo agarrar nenhum para me manter à tona.
Não tenho vontade de mim. 
A minha vaidade está guardada na gaveta.
Tudo me dói e tudo ainda é doloroso.
Tento não pensar e viver como se fosse mecânica. 
Um passo de cada vez. 
Sarar ferida a ferida.
Memória a memória. 
Nem sempre a confiança que me caracteriza aparece.
Quem é esta nova pessoa que me estou a tornar?
Será que voltarei a ser a mesma?
Sei que no final terei o arco íris à minha espera.

*este texto foi escrito pós parto onde todas as mulheres se sentem desamparadas e inseguras.
Não precisamos que nos lembrem que daqui para a frente não iremos descansar e bla bla bla.
Não precisamos de dramas.
Não precisamos de opiniões alheias com uma leve sensação de crítica. 
Precisamos que quando dissermos Não, e não tenham medo de dizê-lo, que respeitem a nossa opinião. 
Precisamos de compreensão e apoio.
Precisamos de pais activos que nos ajudem.
Nós sabemos que todos querem ver o bebé, mas nós ainda estamos a recuperar o parto e as nossas hormonas ainda não funcionam a 100%.
Daqui a uns meses tudo voltará ao normal.