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100 Borboletas no estômago

100 Borboletas no estômago

Dom | 22.03.20

Sentido obrigatório

Tânia Garcia

Ela vestiu a saia justa colada ao corpo, colocou maquilhagem suficiente para ficar simples mas bonita, os pós de perilimpimpim dos nervos e da ansiadade fizeram-na mais reluzente. Escolheu a lingerie com todo o cuidado nessa manhã,  afinal iria ter um encontro, certo?!
Estrategicamente pôs perfume nos sitios ideiais, sem muito exagero.
Jesus, à quanto tempo não fazia isto de brincar aos encontros?
Esquecera-se, assim como já se tinha esquecido do que era ser feliz e viver a vida em paz.
Ainda ponderou desistir de tudo tal não eram os nervos da coisa.
Ele tinha a barriga às curvas e contracurvas.
Vestiu o seu melhor pólo e escolheu o outfit com todo o cuidado.
Nem se lembrava quando tinha sido a última vez que o fizera.
Foi assim à tanto tempo?
Estarei preparado para isto?
Eram pensamemtos que lhe assolavam a mente sem parar.
Como manda a tradição escolheu metodicamente o local para o encontro. 
Afinal não se sabia o que daí poderia vir.
E lá foram eles a medo, pé ante pé, de mansinho, redescobrindo caminhos e sentires que pensavam já nem os ter.
Ninguém os imaginava juntos. 
Eram a noite e o dia, o sol e a chuva, a calma e a tempestade.
Ela era sôfrega, ele era contido.
Não podiam ser tão diferentes, mas uma coisa os unia.
O amor que crescia um pelo outro. 
Sem saberem embarcaram juntos numa aventura sem fronteiras.
Eram tudo um para o outro até não restar nada.
Ele perdeu-se nela, ela encontrou-se nele.
E foram felizes e infelizes conforme os dias.
Nada é tão certo como a nossa vontade de ficar. 
E ela ficou com ele e ele, bem, ele ficou perdido nela.
Se acabaram juntos?
Isso é o mais intrigante desta história...
Tinham em comum o facto de a vida ter começado e acabado para ambos no mesmo dia.
Não morremos quando o coração pára,  morremos quando paramos o coração.