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100 Borboletas no estômago

100 Borboletas no estômago

Dom | 22.03.20

Tudo uma questão de (des)equilíbrio

Tânia Garcia

Vivo intensamente o presente porque sei que tudo pode mudar num abrir e fechar de olhos.
Quantas vezes já pensámos que temos tempo para tudo?
Que ironia a nossa de acharmos que somos imortais. 
Chega a uma altura que paramos de celebrar a vida e começamos a caminhar para o último take.
Não tenho medo de morrer, confesso, tenho é medo de não ter aproveitado a vida que escolhi para mim.
Sei quem sou e para onde quero ir. 
Tanto gosto de ser mãe, como tenho saudades da liberdade de saborear uma história a 2.
Mas sei que assim dá mais pica as escapadelas entre fraldas e youtubes.
Aqueles beijos roubados que nos arrepiam da ponta do cabelo à ponta dos pés e nos fazem ansiar pela oportunidade de descarregar a adolescência que há em nós, com as hormonas a pulular.
Gosto de me equilibrar nos extremos e ter tempo para as coisas de mãe,  a que  ser mãe obriga e para as coisas que me fazem ser mulher. Que me fazem querer que a vida sabe bem.
Que a vida sabe aquele copo de licor nos dias quentes e aquela sangria bem gelada em pleno verão. 
Sinto-me viva com os pormenores do dia a dia.
Mas volta e meia mando a rotina à fava, faço-lhe um manguito dos feios e deixo-me levar pelo momento.
Tenho sorte por ter quem me acompanhe nestes desatinos de Pinypon destrambelhada.
E tenho um homem do caraças que atura o meu mau feitio docinho.
Hoje é isto que me importa quando deito a cabeça na almofada.
Sou feliz como quero e com quem quero.
E de restos não reza a história.